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Música eletrônica (música eletrônica no
Brasil)
é toda
música
que é criada através do uso de equipamentos e instrumentos eletrônicos. Tais
como
sintetizadores,
gravadores
digitais,
computadores
ou
softwares
de
composição.
A forma de composição é geralmente intuitiva e muitas vezes pode ser feita
até mesmo por pessoas com pouca experiência musical. Os softwares são
desenvolvidos de forma a facilitar a criação das melodias e ritmos.
Por sua história passou
de uma vertente da
música erudita
(fruto do trabalho de compositores visionários) a um elemento da
música popular,
primeiramente bastante relacionado ao
rock
e posteriormente discernindo-se como um estilo musical próprio
(principalmente relacionado com a música popular nos sub-estilos
considerados dançantes tais como o
techno,
acid,
house,
trance
e
drum 'n' bass,
desenvolvidos a partir do auge da
música disco
no final da
década de 1970).
Atualmente existem várias ramificações do estilo, tanto eruditas como
populares.
Década de 1890 a 1940: os primeiros
artistas e equipamentos
Data de
1897
o mais antigo instrumento musical eletroacústico. Foi uma invenção de
Thaddeus Cahill,
conhecida como
dinamofone
ou
telarmônio.
A máquina consistia num
dínamo
elétrico,
associados a
indutores
eletromagnéticos
capaz de produzir diferentes
frequências
sonoras. Estes sinais eram comandados por um
teclado
e um painel de controles e difundidos pela linha telefônica, cujos terminais
estavam equipados com
amplificadores
acústicos, colocados em locais públicos. Veio a verificar-se que a emissão
musical interferia com as chamadas telefônicas, o que era insustentável. O
instrumento tinha a capacidade de sintetizar sons com os
timbres
desejados, por sobreposição de parciais
harmónicos.
O sistema que permitia este desempenho tornava a máquina extremamente
complexa e de dimensões gigantescas. O compositor
Ferrucio Busoni
mostrou interesse pela invenção, potencialmente geradora de novos conceitos
harmônicos, não tendo no entanto apoiado diretamente o projeto.
O theremin e o movimento Futurista
Com o final
da
Primeira Guerra Mundial
os primeiros avanços foram no sentido de tornar os equipamentos mais
econômicos e compactos. Uma dessas invenções foi o
Thérémin
(teremin), desprovido de
teclado, munido de dois detectores de movimento que controlavam o
volume
e a altura do som a partir do movimento livre das mãos do executante.
Apesar das contribuições de vários compositores da época, na
atualidade, as
Ondas Martenot
são o único exemplo vivo, em obras como "Turangalîla" e "Trois Petites
Liturgies" de
Olivier Messiaen.
Mais tarde surgiram instrumentos
polifónicos
como o
Givelet
e o órgão
Hammond, cujos potenciais foram
imediatamente reconhecidos e explorados. O Givelet tinha a capacidade de
ser programado, o que foi mais tarde largamente ultrapassado pelos
sintetizadores
e pelos
computadores
que viriam a surgir cerca de 25 anos mais tarde.
Léon
Theremim
executando um
teremin,
equipamento de sua autoria
O movimento
Futurista,
iniciado pelo poeta
Filippo Marinetti,
rapidamente se expandiu pela
Europa,
na defesa da liberdade da expressão artística, que se revelou na música pela
utilização de técnicas de produção sonora não convencionais até então.
Luigi Russolo
propôs, na
década de 1910,
em The Art of Noises[1],
a composição musical a partir de fontes sonoras do meio ambiente, na busca
da variedade infinita dos ruídos. O efeito prático desta proposta foi a
construção de instrumentos produtores de ruído como o
Intonarumori.
O compositor francês
Edgard Varèse,
foi pioneiro na exploração de novos conceitos de expressão musical. A sua
técnica de instrumentação revelava um ruptura com a escola vigente no
Conservatório de Paris,
quebra essa absolutamente necessária para a aceitação de fontes eletrônicas
na composição musical. O conceito de análise e de “regenese” dos sons foi
explorado por Varèse na sua obra instrumental, obrigando-o a utilizar os
instrumentos como componentes de massas sonoras de diferentes
timbres,
densidades e
volumes.
As aspirações de Varèse no campo da música eletrônica foram bloqueadas por
razões financeiras e pelo deficiente apoio que recebeu. As obras teóricas de
Thérémin, inventor do instrumento com o mesmo nome, debruçavam-se sobre os
princípios analíticos na música, de forma sistemática e científica,
antecipando a metodologia da composição de música eletrônica.
Novos equipamentos magnéticos
Darius Milhaud
e
Percy Grainger
utilizaram a capacidade de gravação e reprodução em
vinil
para deformar sons gravados através da variação da velocidade de leitura.
Hindemith interessou-se especialmente pela capacidade de reproduzir os sons
dos instrumentos acústicos eletronicamente, idéia que Varèse conseguiu
contornar. Na
década de 1930,
os principais avanços foram nos sistemas de
gravação.
Depois de tentado um sistema de gravação
óptica,
revelou-se mais vantajosa a gravação em
suporte magnético.
O maior avanço ocorreu na
Alemanha
em
1935,
com a invenção do
magnetofone,
que utilizava fitas plásticas impregnadas de partículas de
ferro.
A fita magnética não permitia no entanto a visualização por meio de gráficos
do som, desvantagem que teve pouca importância. Até
1945,
as principais linhas de desenvolvimento foram na concepção do som musical,
no interesse
pelos princípios da acústica, que permitiram o avanço no campo da
música eletrônica.
Uma
fita cassete usada em
magnetofones
Década de 1940 e 1950: musique concrète
e
elektronische musik
A
Segunda Guerra Mundial
forçou o desenvolvimento tecnológico a vários níveis que, cessado o fogo, se
revelou determinante no progresso da música eletrônica. O clima de
reconstrução econômica proporcionou incentivos de várias instituições,
sobretudo das emissoras de rádio, que dispunham de estúdios bem equipados.
Em
Paris
e
Colônia
estabeleceram-se duas diferentes correntes na música eletroacústica que
duraram toda a segunda metade do
século XX:
respectivamente a corrente da
musique concrète
e a elektronische Musik.
O grupo francês foi resultado da iniciativa
de
Pierre Schaeffer,
engenheiro eletrotécnico, criador do conceito de musique concrète, assim
chamada por partir da gravação e transformação em estúdio de objetos sonoros
(sons do ambiente, dos ruídos aos
instrumentos musicais)
recusando a utilização de instrumentos eletrônicos. As primeiras composições
de Schaeffer, que incluíam a manipulação sonora por meio da variação da
velocidade ou do sentido de leitura das gravações, tinham um efeito musical
fraco, incoerente pela sua natureza fragmentária. Mais tarde, com a melhoria
da tecnologia e em associação com o
compositor
Pierre Henry
e o
engenheiro
Jacques Poullin,
fundando em
1958
o
Groupe de Recherches
Musicales, surgiram as primeiras
composições de resultado satisfatório:
Symphonie pour un homme
seul[2]
e a ópera
Orpheé 51,
esta última utilizando aparelhos como o
Morphophone
e os
Phonogènes,
que operavam sobre gravações em
fita magnética.
Curso de
Verão de Darmstadt
Como resultado do desacordo gerado entre
franceses
e
alemães,
no curso de Verão de
Darmstadt
(1951),
Schaeffer publicou o ensaio
Esquisse d’un solfège
concret que veio reafirmar e
sistematizar as suas idéias no panorama de então. Os seus estudos levaram-no
à publicação, em
1966,
de
Traité des objets
musicaux, com base dos estudos
preliminares de Esquisse d’un solfège concret. Nesse trabalho, Schaeffer
estabeleceu 33 critérios de classificação divididos pelas três dimensões
fundamentais do fenômeno sonoro – o plano harmônico, o plano dinâmico e o
plano melódico – que permitiam 54 000 combinações distintas. Apesar dos
estudos aprofundados que efetuou, Schaeffer não conseguiu mais do que meras
ligações passageiras com compositores como
Boulez,
Messiaen,
Milhaud,
Varèse
e
Stockhausen,
estes talvez desencorajados pelos resultados sonoros pouco refinados. À
medida que técnicas de processamento eletrônico se tornavam mais aceites, os
princípios da musique concrète perdiam prosperidade. A conjuntura forçou
Schaeffer à mudança para um perspectiva mais universal - experiences
musicales – o que levou à aproximação ao conceito da
Elektronische Musik.
No início dos
anos 1960,
Henry fundava o seu próprio estúdio,
Xenakis
começava já a utilizar os computadores, dois exemplos entre as muitas outras
linhas de inovação, chegando assim ao fim o monopólio de Schaeffer.
No curso de
Darmstadt
os
cientistas
Robert Beyer
e
Meyer-Eppler
apresentaram trabalhos sobre a síntese sonora eletrônica que despertaram o
interesse de alguns dos compositores presentes, entre eles
Herbert Eimert.
Os três homens formaram uma associação informal que, com o apoio do diretor
técnico da
Rádio de Colónia,
foi pioneira na criação de estúdio de música eletrônica na Alemanha. As
primeiras experiências musicais, apresentadas em
Paris,
datam de
1952
e revelam a utilização de técnicas de serialismo integral, na sequência do
desenvolvimento pós
Segunda Escola de Viena.
Os processos de composição seriais foram motor do desenvolvimento da síntese
eletrônica, com o intuito de poder manipular, individualmente, cada uma das
propriedades dos sons, distanciando-os assim da sua origem primitiva. A
grande questão punha-se: “será que os sons eletrônicos, enquanto fonte
universal de material sonoro, podem gerar um sistema estruturador coerente
correspondente ao tonalismo?” A resposta estaria num estudo mais aprofundado
da síntese sonora, com base nos conhecimentos
matemáticos
da
acústica
musical. Foi consensual que o gerador de sinais era o instrumento mais
adequado como fonte do material eletrônico. Produz sons sinusoidais
(simples) que, sobrepostos, formam todos os outros sons. Outros aparelhos
foram utilizados, para além do gerador de sinais: geradores de ruídos, o
monocórdio,
e o
melocórdio
- um instrumento com a capacidade de produzir Klangemodelle (sons
formados pela sobreposição de determinadas
frequências).
Desenvolvimentos de Stockhausen
O estúdio foi amplamente divulgado na comunidade musical.
Stockhausen foi um dos compositores que estabeleceu uma longa ligação com o
estúdio. Lá, realizou muitas das suas obras, entre elas os Studier I
e II. Utilizou nesses estudos ferramentas como o cálculo de
frequências com base em relações harmônicas, o serialismo de intensidades e
durações, o
eco
e a
reverberação,
a inversão sonora ou a
note mixtur.
A técnica da note mixtur baseia-se na sobreposição de sons sinosoidais que
não apresentam relações harmônicas com um som fundamental. Na produção do
efeito de reverberação, utilizavam-se inicialmente câmaras de reverberação
onde o som era emitido e regravado. Caíram em desuso pelo espaço que
ocupavam e foram substituídas por métodos mais simples. Para a modulação dos
sons eram empregues filtros afinados para certos centros de frequências, que
permitiam favorecer ou empobrecer o som num certo campo de harmônicos.
Kontakte
(1950-1960)
é uma das obras mais importantes de
Stockhausen,
que combina sons eletrônicos com a execução, em tempo real, de partes para
piano
e
percussão.
Erase-record-replay
A tecnologia erase-record-replay desenvolvida
inicialmente para a produção de eco, foi aí explorada de outras formas, na
criação de loops, por exemplo. Outra das características importantes na obra
é a utilização da espacialização, através da colocação
altifalantes
de forma conveniente no espaço de execução. Outros compositores, tais como
Brün,
Hambräus,
Heiss,
Kagel,
Koenig,
Ligeti
e
Pousseur
contribuíram para a extensa produção do estúdio de Colónia. Estes criadores
de electronische Musik, constituíram a face oposta à corrente francesa da
musique concrète, complementando-se no desenvolvimento da
eletroacústica
até meados da década de 1960.
Década de 1960 e 1970: sintetizadores
pessoais e a música popular
Devido
à complexidade em compor com um sintetizador ou computador, a maioria dos
compositores continuava a explorar a música eletrônica usando o
musique concrète
ainda na
década de 1960.
Mas como tal estilo não era gracioso, alguns compositores iniciaram
pesquisas para melhorar a tecnologia nesse sentido, levando a três times
independentes buscando o desenvolvimento do primeiro
sintetizador
pessoal.
O primeiro
desses sintetizadores foi o
Buchla,
aparecido em
1963,
produto do trabalho do compositor
Morton Subotnick.
Outro sintetizador foi o criado por
Robert Moog[3],
sendo o primeiro a usar um
teclado
ao
estilo de
piano.
Em
1964
Moog convidou o compositor
Herb Deutsch
para visitar seu estúdio em
Trumansburg.
Minimoog Voyager, um
sintetizador
analógico
Moog já havia encontrado-se com Deutsch um ano antes, ouvido sua música, e
decido seguir a sugestão do compositor para a construção de módulos para
música eletrônica. Na época de visita de Deutsch, Moog já havia criado
protótipos de osciladores controlados, equipamento que Deutsch usou por um
tempo, e posteriormente Moog criou um filtro controlado por voltagem. Moog
então foi convidado para a Convenção
AES
em
Nova Iorque
no qual apresentou o artigo "Electronic Music Modules" e vendeu seu primeiro
sintetizador ao coreógrafo
Alwin Nikolais.
Adoção pela música popular
Apesar da música eletrônica ter começado nas ramificações da
composição clássica,
após alguns anos ela foi adotada pela
cultura popular.
Um dos primeiro exemplos é o tema para
televisão
do seriado
Doctor Who,
em
1963.
No final da
década de 1960
Wendy Carlos
popularizou a música de sintetizador com os dois notáveis álbuns
Switched-On Bach
e
The Well-Tempered
Synthesizer, que reproduziu
usando o Moog peças clássicas da
Barroco[4].
O equipamento gerava somente um nota por vez, então para gerar a composição
Carlos teve que sobrepor as gravações em um amplo trabalho de estúdio. As
primeiras máquinas também eram bastante instáveis, e perdiam a afinação com
facilidade. Apesar disso, muitos músicos como
Keith Emerson
do
Emerson Lake and Palmer
começaram a usar os equipamentos, inclusive em turnê. O
theremin,
que é extremamente difícil de ser executado, foi também usado na música
popular. O theremin elétrico foi usado em "Good Vibrations" do
The Beach Boys,
o
mellotron
foi usado em "Strawberry Fields Forever" do
The Beatles
e o pedal de volume foi usado em "Yes It Is".
Assim que a tecnologia evoluiu e os sintetizadores tornaram-se mais baratos,
foram sendo adotados por várias bandas de
rock[5],
tais como
The Silver Apples
e
Pink Floyd,
usando os equipamentos como substitutos ao
órgão.
Krautrock
e jazz fusion
Na
década de 1970
o estilo eletrônico foi revolucionado pela banda
alemã
Kraftwerk,
que usou a eletrônica e
robótica
para simbolizar a alienação então atual do mundo em relação a
tecnologia.
Outras bandas contemporâneas e contemporâneas que também incorporaram o som
eletrônico à música popular e principalmente ao
rock
incluem
Tangerine Dream,
Can,
Neu!
e
Popol Vuh.
Tal movimento acabou sendo pejorativamente chamado pela imprensa
inglesa
da época como
krautrock
(uma referência ao apelido sauerkraut dos alemães, que significa
chucrute,
um prato tradicional daquele país), mas acabou sendo aceito pelo tempo
devido à grande influência de tais bandas.
O
Kraftwerk em um concerto
Alguns pianistas de
jazz
como
Herbie Hancock,
Chick Corea,
Joe Zawinul
(Weather
Report) e
Jan Hammer
(Mahavishnu
Orchestra) começaram a usar os
sintetizadores em gravações de
jazz fusion
entre
1972
e
1974.
As gravações I Sing the Body Electric de Weather Report e
Crossings de Herbie Hancock usaram sintetizadores para efeitos de som em
contraste de somente um substituto ao
piano.
A composição para
Forbidden Planet,
por
Louis and Bebe Barron,
foi completamente composta usando o
theremin[6]
em
1956.
Assim que os sons eletrônicos tornaram-se mais populares nas composições,
outros
filmes
de
ficção científica
como
Blade Runner
e
Alien
passaram a depender no efeito de ambiente formado por tais instrumentos.
Década de 1980 a 2000: a música eletrônica
para o grande público
No final da
década de 1970
e início da
década de 1980
houve grande interesse na inovação em instrumentos de música eletrônica,
amplamente pela substituição dos sintetizadores analógicos por versões
digitais, além dos primeiros
samplers.
Na época os samplers eram, tal qual os primeiros sintetizadores, espaçosos e
caros, mas em meados da década de 1980 foram desenvolvidos para tornarem-se
mais disponível aos músicos.
Similarmente aos samplers, a música eletrônica foi amplamente difundida a
partir da década de 1980 através da popularização dos
computadores pessoais.
A partir de então era possível
emular
as funcionalidades de instrumentos musicais ou de sintetizadores através da
criação, manipulação e apresentação virtual de som. Percebeu-se que
diferentes equipamentos não conseguiam comunicar-se entre si devido à
diferenças em suas tecnologias. Para solucionar o problema foi criado o
MIDI,
um
protocolo de comunicação
destinado a comunicação, controle e sincronização de informações de áudio
entre dispositivos como
teclados,
sintetizadores e processadores de som[7].
Introduzido em
1983,
o MIDI tornou-se um dos padrões mais notáveis da indústria da
informática
e atualmente é aceito na maioria dos equipamentos de áudio e instrumentos
musicais eletrônicos.
Eletro e música industrial
Os novos tipos de sons eletrônicos contribuíram para a formação
da
música industrial,
começada por grupos como
Throbbing Gristle
em
1975,
Wavestar
e
Cabaret Voltaire.
Artistas como
Nine Inch Nails
em
1989,
KMFDM
e
Severed Heads
usaram as inovações da
musique concrète
e aplicaram à
música dance
e
rock.
Durante esse tempo, artistas de
dub
como
Tackhead
gravaram composições com modelos da música industrial que pavimentaram o
interesse a bandas como
Meat Beat Manifesto
e produtores de
downtempo
e
trip hop
como
Kruder & Dorfmeister.
Ainda
durante o começo da década de 1980 desenvolveu-se em
Detroit
o
eletro,
uma forma de
hip hop
misturada com o timbre dos sintetizadores analógicos (usando várias
referências de
Kraftwerk),
baseado amplamente nas
baterias eletrônicas
como o
Roland TR-808.
Ainda que seja mais associado com o
hip hop
e usado no
breakdance
da época, o eletro é considerado uma forma de música eletrônica. O estilo
foi resgatado nos anos 2000 com o
electroclash
mas decaiu pela grande influência de novos estilos de música eletrônica tais
como o
house.
Música eletrônica dançante
O estilo passou então de uma mera ferramenta para os músicos diversificarem
e desenvolverem novos sons e timbres musicais apoiando-se em outros estilos
musicais para ganhar uma cena própria. Com o sucesso da
música disco,
que atingiu seu auge entre
1977
e
1979
em parte devido ao filme de 1977 "Saturday
Night Fever", a
década de 1980
e décadas seguintes na música eletrônica foram marcadas pelo surgimento da
música eletrônica dançante, levando ao desenvolvimento de novas ramificações
como o
techno,
o
house
e o
trance.
A música eletrônica torna-se a partir de então, além de um estilo musical,
um estilo de vida marcado pelas
raves
(eventos sociais de elevação de
consciência baseados em música eletrônica[8])
e pelos
DJs
(músicos que utilizam instrumentos musicais eletrônicos para executar
composições).
Cultura
da discoteca, uma das precursoras da
música eletrônica dançante
O
desenvolvimento do
techno
em
Detroit
e
house music
em
Chicago
na
década de 1980,
além do
acid house
no
Reino Unido
no início da
década de 1990
aceleraram o desenvolvimento e a aceitação da música eletrônica na indústria
da música, introduzindo a música eletrônica dançante às casas noturnas. A
composição eletrônica pode seriar ritmos mais rápidos e precisos que os
criados pela
percussão
tradicional, além de oferecer a possibilidade de misturas e adição de outros
elementos como
instrumentos musicais
tradicionais e
vocais.
O estilo desenvolveu-se de tamanha maneira a tornar-se comercialmente
acessível que mesmo artistas
pop
chegaram a compor usando o estilo, como o álbum
Ray of Light
da cantora
estado-unidense
Madonna.
Raves
Um elemento importante para o desenvolvimento da música eletrônica dançante
foi o desenvolvimento das
raves.
Tais festas de música eletrônica começaram como uma reação às tendências da
música popular,
a cultura de
casas noturnas
e o
rádio
comercial. Seu objetivo primordial era a interação entre pessoas e elevação
da consciência (uma fuga da realidade) através de diversas formas de arte. A
música eletrônica teve papel fundamental em tais festas na medida que
proporciona através das batidas repetitivas e progressivas um efeito
hipnótico nos participantes, potencializado pela utilização de
entorpecentes. A partir do desenvolvimento do estilo eletrônico na
década de 1980
foram promovidos eventos em regiões rurais destinados a reunião
de pessoas, dança
Rave
em
Belo Horizonte,
2006
e utilização de
ecstasy.
De forma análoga, o
movimento hippie
da
década de 1960
pregava a reunião das pessoas e a utilização de drogas (especialmente o
LSD)
como forma de elevação de consciência. Mesmo com a reação negativa da mídia
em relação a tal cultura o estilo foi se desenvolvendo, resultando em um
estilo de vida para os participantes. Outros gêneros musicais presentes em
raves incluem o
drum and bass
e a
música ambiente.
A partir do final da
década de 1990
o termo caiu em desuso pelos seus participantes na
Europa
devido à massificação e desvirtualização do uso.
Acid
e drum and bass
O
acid house
foi um estilo derivado da
house music
levado para o
Reino Unido
no final da
década de 1980
para tornar-se parte integrante da cultura local de raves. Foi
amplamente dependente do
sintetizador
e
sequenciador
Roland TB-303,
o que tornava seu som bastante característico. O acid foi uma das
maiores influências para a criação do
drum and bass
(originalmente conhecido como jungle até por volta de
1995),
um estilo de música eletrônica dançante caracterizado pela batida rápida e
pesada ("seca") da bateria, com a presença marcante do
baixo.
Um dos maiores divulgadores do estilo foi o DJ
britânico
Goldie[9].
Outro DJ relevante ao drum and bass é o
brasileiro
Marky,
um ícone da música eletrônica no país. Sendo considerado um renovador do
estilo no final da
década de 1990,
Marky também é reconhecido no Reino Unido, terra natal do jungle.
Trance
Outra vertente da música eletrônica dançante é o
trance.
Apesar de suas origens datarem desde a
década de 1970
com artistas como
Klaus Schulze,
foi a partir de artistas de
acid house
que acabou ganhando uma cena própria, com a cena techno da
Alemanha
no início da
década de 1990;
Frankfurt
é geralmente referenciada como o berço do estilo. No mesmo período
desenvolvia-se em
Goa,
Índia,
outro movimento da cena eletrônica baseado no
EBM,
o
Goa trance,
influenciado pela
cultura da Índia
e pela
música psicadélica
da
década de 1960.
O gênero foi migrado para a
Europa
em
Londres,
desenvolvendo-se de forma a ramificar-se no que atualmente chama-se
trance psicodélico.
A partir da década de
1990, o desenvolvimento para um trance melódico e comercial possui como
expoentes compositores como
Paul Oakenfold
e
Paul Van Dyk.
DJ
Paul Oakenfold,
um dos maiores
expoentes do
trance,
em apresentação
Tais artistas foram tornando-se cada vez mais aceitos comercialmente,
confundindo a música eletrônica com a
música pop.
|
|
ORIGEM |
COMEÇO |
OUTROS ESTILOS ASSOCIADOS |
|
Breakbeat |
(1)
Nova Iorque;
(2)
Inglaterra |
(1) início da
década de 1970;
(2) meados da
década de 1990 |
techno,
hip hop,
dancehall |
|
Dance music |
Europa |
década de 1980 |
pop |
|
Downtempo |
|
raízes na
década de 1970,
mais evidenciado na
década de 1990 |
dub,
hip hop,
jazz,
funk,
soul,
drum and bass,
música ambiente,
bossa nova,
pop |
|
Drum and bass
(Jungle) |
Londres
e
Bristol |
início da
década de 1990 |
breakbeat,
techno,
hip hop,
reggae,
dancehall,
jazz |
|
Electro |
Detroit,
Bronx,
Nova Iorque,
Los Angeles |
início da
década de 1980 |
synthpop,
música disco,
funk |
|
Hardcore |
Europa |
final da
década de 1970 |
|
|
House |
Nova Iorque,
Chicago,
Londres,
Manchester |
década de 1980 |
eletro,
funk,
disco,
synthpop,
soul |
|
Música ambiente |
Europa |
década de 1970 |
Krautrock,
música erudita do
século XX |
|
Música industrial |
Londres,
Sheffield,
Alemanha,
Vancouver,
Cleveland,
Chicago |
início da
década de 1970 |
musique concrète,
Fluxus,
Noise |
|
Techno |
Detroit |
década de 1980 |
eletro,
industrial,
synthpop,
house |
|
Trance |
França,
Alemanha,
Países Baixos,
Bélgica
e
Reino Unido |
início da
década de 1990 |
techno,
house,
industrial |
|
Trance psicadélico |
Reino Unido,
Israel,
Goa,
África do Sul |
meados da
década de 1990 |
música psicadélica,
industrial,
acid house |
Validade do movimento musical
Há discórdia entre a validade da música eletrônica. Alguns
músicos consideram a arte da
música
apenas aquela que possa trazer sentimentos de uma forma não sistemática
através de
instrumentos musicais
manipulados fisicamente. Para eles, o processo de manipulação de faixas de
música anteriores (envolvendo elementos como
amostras de som
e mixagem) não constitui um processo válido de criação de música, somente de
cópia. Tais músicos geralmente concordam quanto a validade de artistas de
música eletrônica associada à música erudita, de artistas como
Karlheinz Stockhausen
e
Wendy Carlos;
apesar de utilizarem instrumentos eletrônicos, seu processo de composição
era manual em sua maioria. Entretanto, para obras como
Switched-On Bach,
Wendy Carlos teve que sobrepor gravações de
sintetizador
por limitações técnicas do equipamento, em um trabalho claro de manipulação
de faixa.
Outras correntes afirmam que justamente o fato de alterar o
estado da mente através da estimulação não somente dos ouvidos, mas também
das batidas do coração e da respiração, tornam a música eletrônica uma forma
única de criação e apreciação da música. Para eles, o processo de criação
musical também envolve a manipulação de som, e o produto final da iteração
entre elementos já existentes não constitui uma cópia, mas sim uma
composição nova, diferente.
De fato, muitos estilos recentes de música eletrônica dançante
(como o
trance psicodélico)
possuem como base a criação de um ambiente no qual o ouvinte entre em estado
de transe, usando como base a alteração do estado do corpo através das
batidas sequenciais. Para isso são envolvidos aspectos adicionais à música,
como apresentações artísticas como
pirofagia
e
circo
e, para alguns, o uso de
drogas.
Nesse caso, a música (no caso, eletrônica) é somente um apoio da experiência
do ouvinte, e não o elementos principal.
Significado
de música eletrônica
Por definição, música eletrônica é toda música criada através
do uso de equipamentos e instrumentos eletrônicos. Entretando, a partir da
grande popularização da música eletrônica dançante a partir da
década de 1980,
esta passou a ser considerada para a mela e o público geral como sendo
música eletrônica.
Luigi
Russolo. The Art of Noises (em inglês). Acessado em 31 de março de 2007.
Jerry Fielden (2000). Pioneers of Electronic Music – Early Works (em
inglês).
Acessado em 31 de março de 2007.
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Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%BAsica_eletr%C3%B4nica
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